Hoje o DATAFOLHA divulgou os resultados de várias pesquisas. Entre todas, a Folha de S.Paulo optou por dar mais destaque à pesquisa eleitoral para presidente (poderia ter optado pelos 67% de ótimo/bom na avaliação do segundo mandato de Lula ou pelos 44% de ruim/péssimo do congresso).
Li e reli os resultados publicados da eleitoral e, sinceramente, não encontrei nenhuma novidade nesta tomada feita agora, entre 11 e 13 de agosto, comparada à última realizada entre 26 e 28 de maio.
Serra (37% - oscilando 1 ponto percentual para baixo, dentro da margem de erro de 2 p.p.) se mantém na esperada liderança, é o mais conhecido, já foi candidato a presidente e ocupa o cargo de governador do estado mais populoso do país, com direito a máquina estadual e a propaganda decorrente. Pequena surpresa foi a oscilação negativa de 1 ponto percentual com a entrada de Marina Silva no cenário, não pela inexpressiva oscilação, mas por aparentemente Marina tirar mais votos do tucano do que da Ministra Dilma. Não era o que esperava a cúpula psdbista, mas ainda é cedo para julgamentos.
Dilma se mantém em segundo (16% repetindo o resultado anterior) e não configura nenhuma surpresa. Não foi afetada até este momento pelo caso "Lina" e não ganhou pontos com o PAC. Os escândalos do senado, somados à Gripe A e à provável candidatura de Marina tomaram todo o espaço da mídia nestes últimos tempos, sobrou pouco espaço para maior divulgação da candidata pelo "puxador" e popular Lula. A pequena novidade a ser comemorada pela pré-candidata aparece no cenário com Marina: não houve retração dos votos, pelo contrário, manteve-se estável (oscilou 1 ponto percentual para cima, chegando a 17%).
Pouco a falar sobre Ciro Gomes, manteve os mesmos 15% e a dúvida sobre sua candidatura. Heloísa Helena oscilou positivamente para 12% (tinha 10% em maio) e também não perdeu os pontos esperados pelo PSOL com a candidatura de Marina.
Já Marina Silva enfrentou sua primeira pesquisa com mais abrangência de amostra (4.100 casos) e metodologia calcada em entrevistas pessoais em pontos de fluxo (a pesquisa da Ipespe usou entrevistas por telefone), marcou 3%. Não há como comparar pesquisas com diferentes metodologias e cenários, teremos que aguardar a próxima Datafolha para saber se Marina avançará, se até lá ela já tiver decidido que vai mesmo seguir esta “trilha”.
Meus caros leitores e leitoras, eu trabalho com pesquisas há mais de vinte anos, tempo bastante para saber que pesquisas eleitorais realizadas mais de um ano antes das eleições e com cenários de candidatos ainda indefinidos não são parâmetros para o que vai acontecer, apenas refletem o momento e as especulações. Os resultados apresentados por esta pesquisa do Datafolha, e outras mais que devem "pipocar" deste momento em diante, receberão diversas análises, em geral com os "analistas de pesquisa amadores" puxando seus artigos para a própria seara de interesse.
Não acredite em mim ou em ninguém, procure ler os números e tirar conclusões por sua própria "cabeça". Leia tudo o que puder, mas construa, mantenha e aperfeiçoe suas próprias opiniões. O Brasil agradece.